Tag Archives: tag along

Cuidado ao dizer que sua ação está barata

Em outubro, escrevi sobre as ações da Usiminas. A tese era a de que os investidores estavam comprando as ações ordinárias da siderúrgica (USIM3), mirando o direito ao “tag along”, ou seja, receber 80% do valor pago pelas ações do controlador em caso de troca de controle. Segundo minha hipótese, a razão da aquisição das ações derivava mais de um evento societário do que dos resultados operacionais da empresa. Alguns leitores, em e-mail enviado, deram argumentos de que as ações preferenciais da empresa estavam baratas. Embora meu enfoque tenha sido sobre as ações ordinárias e não sobre as preferenciais, tentarei respondê-los a seguir.

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Como perder dinheiro com a Usiminas

Com a recente briga entre dois dos controladores da Usiminas – a Ternium, do grupo ítalo-argentino Techint, e a Nippon -, agentes de mercado começam a apostar em possíveis ganhos com as ações ordinárias da Usiminas (USIM3), em decorrência de eventos societários como troca de controle e reestruturações organizacionais. Esses parecem ter memória curta, esquecendo-se da grande decepção de 2011, quando a entrada da própria Ternium no controle da sociedade não gerou direto de “tag along” aos minoritários. Embora a situação agora tenha outras peculiaridades, a chance de o minoritário se beneficiar desses eventos societários é remota.

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O risco de investir em eventos societários

O mercado acionário brasileiro foi assolado nos últimos meses por eventos societários dos mais diversos tipos: (i) o fechamento de capital da incorporadora Brookfield (BISA3); (ii) o aumento da participação acionária do fundo Tarpon na Cremer (CREM3), da chilena Enersis na elétrica Coelce (COCE5) e de Edson Bueno no laboratório de análises clínicas DASA (DASA3); (iii) a troca de controle na Providência (PRVI3) e (iv) a consolidação das atividades de logística da ALL (ALLL3) e da Rumo, controlada da Cosan (CSAN3). A queda acentuada da bolsa nos últimos meses explica, em grande parte, esses anúncios. Enquanto os acionistas minoritários evitam o mercado acionário, contaminados pelo pessimismo, acionistas majoritários, com visão de longo prazo, aproveitam a oportunidade para investir nessas empresas a preços atrativos. Mas não é apenas a bolsa em baixa que determina a existência de eventos societários. Rumores sobre a troca de controle da TIM Participações (TIMP3), a consolidação entre a Portugal Telecom com a Oi (OIBR4) e a união entre as empresas de educação Anhanguera (AEDU3) e Kroton (KROT3) obedecem a lógicas diversas: na TIM, a necessidade de redução do endividamento da controladora italiana; na Oi, a obtenção de sinergias com a empresa portuguesa, o aumento da governança corporativa e a redução da alavancagem dos acionistas majoritários e nas empresas de educação, os ganhos com sinergias.

Eventos societários podem trazer ganhos relevantes e em curto espaço de tempo para os investidores comuns, mas é importante que se conheça em detalhes as diferentes modalidades de operação societária e os riscos associados a cada uma delas.

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A curiosa distorção de preço entre as ON e PN de Eletropaulo

As ações ordinárias da concessionária de energia elétrica Eletropaulo (ELPL3) negociam com prêmio de 100% sobre as ações preferenciais (ELPL4). O último preço de ELPL3 foi R$ 15, enquanto a cotação da preferencial foi de R$ 7,56 em 11 de março. Essa distorção de preços não pode ser explicada com base no direitos das ações como o “tag along” e os dividendos. Existe uma boa operação de arbitragem aqui.

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Fleury, não compre as ações pelos motivos errados

Em novembro de 2013, um dos controladores do laboratório de análises clínicas Fleury, o grupo formado pelos médicos fundadores, resolveu colocar a venda sua participação na empresa. Para assessorá-los, contrataram o banco de investimentos JPMorgan. Alguns analistas consideram que, com base na lei, a saída do grupo da empresa gerará o direito de os minoritários também venderem suas ações ao novo acionista adquirente recebendo por elas o mesmo valor pago ao grupo controlador. Mas cuidado, pois o novo sócio pode não ser obrigado a fazer essa oferta.

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