Setores que se beneficiam na atual cena econômica

Escolher segmentos econômicos que devam apresentar bom desempenho na conturbada conjuntura – PIB em queda, inflação alta, juros elevados, rebaixamento do risco soberano, déficit fiscal, crise política – parece uma tarefa hercúlea. Um analista irreverente poderia indicar escritórios de advocacia criminal, pois esses tendem a se beneficiar dos processos decorrentes da Operação Lava-Jato. Mas essa opção serviria apenas aos bacharéis em direito com inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Brincadeiras à parte, a análise fundamentalista apresenta instrumentos que podem nos ajudar a selecionar os setores e, por consequência, as ações de empresas que melhor devem navegar no cenário recessivo atual.

A análise fundamentalista apresenta duas abordagens. A primeira é a “top-down” na qual o analista projeta as variáveis macroeconômicas e escolhe os segmentos que melhor devem se aproveitar do cenário estimado. Assim, por exemplo, com juros elevados, evitam-se as empresas endividadas. Já na segunda ótica, a “bottom-up”, o analista se aprofunda sobre as demonstrações contábeis da companhia, esquecendo-se um pouco da conjuntura econômica e escolhendo as empresas que apresentem estabilidade e consistência financeira. Assim, mesmo que o segmento de atuação da companhia não seja beneficiado no momento, a empresa deve apresentar bom desempenho em um horizonte de longo prazo.

Assim, o investidor que queira escolher ações que se beneficiem da atual cena econômica devem adotar a análise “top-down”. E o que nos diz as projeções? Economia recessiva, juros elevados, inflação alta, moeda brasileira depreciada. Nesse caso, a escolha deve (ou deveria) recair sobre ações de beta baixo. O que é isso? São ações de companhias cujas receitas são mais estáveis, menos dependentes do ciclo econômico. São, em regra, empresas que vendem produtos essenciais.

O setor elétrico, em tese, seria uma boa aposta, pois o consumo de energia não tende a se reduzir acentuadamente mesmo em períodos de crise. Além disso, os contratos de concessão são reajustados pela inflação o que é interessante em um momento de índices de preço em alta. Contudo, a estiagem provocou um risco hídrico. O sistema tem aumentado a utilização da energia advinda das térmicas a fim de poupar as reservas das hidrelétricas. Com menor geração, as empresas hidrelétricas não possuem energia suficiente para honrar seus contratos, devendo buscar essa diferença no mercado à vista, cujos preços estão elevados o que aumenta as despesas e reduz o resultado. Além disso, o governo atual alterou o arcabouço regulatório, o que fez com que algumas empresas tivessem que devolver parte dos seus ativos como Copel, Cemig e Cesp, reduzindo a geração de caixa.

Descartado o setor elétrico, vamos analisar as possibilidades decorrentes da desvalorização cambial. De acordo com o Banco Central, o real depreciou-se 25% desde dezembro de 2011 em relação a uma cesta de moedas de 15 países que representam em torno de 60% do comércio exterior brasileiro. As ações das empresas de papel e celulose – Fibria, Suzano e Klabin – vêm aproveitando o bom momento. Outras com exportação relevante e ativos no exterior como as de alimentos JBS e BRF também se beneficiam.

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Apesar da economia em recessão, os grandes bancos tem apresentado bom desempenho graças aos juros altos. A partir do início do aperto monetário empreendido pelo Banco Central, Bradesco e Itaú Unibanco apresentaram forte elevação dos lucros em decorrência da elevação dos “spreads” e ganhos com tesouraria.

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Outras instituições de serviços financeiros também têm apresentado resultados consistentes. Tomando por base os resultados encerrados em junho de 2015, Cetip e Cielo tiveram crescimento médio anual do lucro de 17,1% e 20,6%, respectivamente, desde 2011.

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Companhias de fidelidade como Smiles e Multiplus também se beneficiam dos juros em alta, pois, ao contrário da maioria das empresas não necessita de capital de giro, pois o resgate dos pontos só ocorre em um momento posterior. Enquanto os recursos permanecem no caixa, a empresa gera uma receita financeira que se eleva conforme os juros sobem.

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7 Comentários

  1. Excelente o seu post André , atualmente trabalho na adm pública, empresa federal, e estou em transição de carreira, em direção à área de consultoria estratégica RSE/startups. Tudo relacionado à estratégia que eu vejo pela frente já paro pra ler e valeu a pena ver o teu post. Parabéns.

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