O Ibovespa está barato?

O ambiente de negócios no Brasil encontra-se turbulento com as crises política, econômica, recessão, inflação alta e déficit fiscal. O cenário é perfeito para o investimento em ações sair do radar dos consultores econômicos. Ainda mais porque os juros encontram-se em patamares elevados: a taxa Selic está em 14,25 % ao ano. Embora não se possa dizer que a bolsa esteja uma pechincha, ela encontra-se em um ponto interessante de compra se observarmos algumas medidas. Contudo, o cenário interno pode continuar sabotando o Ibovespa.

Em 2012, fiz um post no qual mostrei um gráfico desde 2004, dividindo o Ibovespa atual pela média móvel dos últimos seis meses. A região compreendida acima da média do período mais um desvio padrão significava que o mercado estava “supercomprado”. Nessa situação, uma realização dos ativos era esperada, com o índice recuando. Por outro lado, a área abaixo da média menos um desvio padrão representaria uma exposição “supervendida” dos investidores. Com isso, a bolsa poderia se recuperar com a entrada de novos aplicadores. Retirei a ideia de um relatório da corretora do Santander, assinado por Marcelo Audi.

Atualizei-o com dados entre 1 de novembro de 2005 até 29 de outubro de 2015. O Ibovespa fechou dia 29 em 45.628 pontos, um deságio de 9,4% sobre a média móvel dos últimos seis meses. A média do período de dez anos menos um desvio padrão é de – 9,5%. Assim, o Ibovespa está muito próximo de entrar na região supervendida. Em 2015, o Ibovespa já transitou por duas vezes nessa região.

recuoibovespa

Durante o período total, os melhores pontos de compra foram na crise do subprime em 2008 e no rebaixamento da dívida soberana americana pela agência de classificação de risco S&P em 2011.

A deterioração fiscal e a dificuldade de aprovação de medidas no Congresso para debelá-la são as causas para a queda do índice nos últimos dias. A aprovação de projetos como a volta da CPMF e a estipulação de uma idade mínima para a aposentadoria podem impulsionar o índice. Contudo, o governo Dilma parece não ter forças para aglutinar os partidos situacionistas para a aprovação dessas medidas. Apenas a resolução da crise política pode fazer com que a bolsa apresente uma recuperação consistente. Todavia, a saída da presidente pelas vias do impeachment ou da perda de seu mandato no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não parece clara em decorrência das discussões jurídicas (pedaladas do mandato anterior comprometem o mandato atual? A corrupção na Petrobras contribuiu para a vitória da presidente em 2010 e 2014?), da dificuldade de se montar um governo de consenso após a destituição da presidente e da situação problemática do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, condutor do processo de impeachment, envolvido em escândalos de corrupção.

Se não há espaço para fortes altas, tampouco para quedas exageradas. Mesmo a elevação dos juros pelo Fed americano tende a ter uma influência negativa limitada sobre o mercado, pois a notícia já parece estar precificada. Além disso, o Ibovespa medido em dólares encontra-se atraente para os investidores estrangeiros após a desvalorização cambial. Assim, a tendência é de uma bolsa andando de lado ao longo de 2016.

Por outro lado, as eleições municipais do próximo ano podem sinalizar uma mudança de ciclo político com a vitória de representantes dos partidos de oposição nas capitais e em cidades importantes. Dessa forma, o mercado pode antecipar uma melhora do quadro econômico com a eleição de um opositor na próxima corrida presidencial, fazendo com que 2017 seja atraente para a bolsa.

Os investidores já demonstraram sua predileção por candidatos mais responsáveis economicamente. Em setembro de 2014, com o crescimento da candidata Marina Silva nas pesquisas, o gráfico alcançou a zona supercomprada. O movimento foi curto, pois, logo em seguida, as intenções de voto na candidata desidrataram-se;

Com esse cenário, a bolsa deve continuar entre idas e vindas ao longo dos próximos meses à espera de uma troca de poder presidencial que ainda está distante. Contudo, esse cenário pode ser antecipado pelo mercado dependendo dos processos de destituição da atual presidente ou após as eleições municipais conforme se desenhe o resultado eleitoral.

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6 Comentários

    1. Andre e os demais colegas daqui, diante do indice Bovespa, está ou não atrativo ? Aqui segue esta
      máxima: O Banck of Scoltand, aconselha em 2016 a todos os seus clientes que venda todos os seus
      ativos de Riscos e apliquem no Tesouro direto dos EUA/Alemanha (como medida defensiva). Será
      que o Brasil, não estará no mesmo patamar ou bem pior ?

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