“Meus filhos são tudo para mim”

Na quadragésima quinta festa infantil do ano, um pai bradou com orgulho: “Meus filhos são tudo para mim”.  A roda de amigos concordou efusivamente balançando as cabeças. Um deles, lambendo os dedos sujos de coxinha, disse: “sem dúvida”. Apenas eu e um colega ao lado, mais preocupado em repor sua tulipa de chopp (o buffett não tinha ara condicionado), não permitimos a unanimidade.

Lembrei-me imediatamente da professora Therezinha e suas aulas de interpretação de texto. Se alguma coisa é tudo, o resto é nada. O nada seriam nossos próprios pais, a carreira, a esposa, os amigos, os irmãos. Mas nossos pais são menos do que nossos filhos? Não é ingratidão com quem nos deu carinho e suporte desde sempre? E a luta para se formar, obter um bom emprego, crescer profissionalmente não têm valor algum?

Quando doentes, os filhos (ou qualquer outro parente próximo) absorvem toda a nossa atenção. Passam a ser tudo. Mas são situações especiais. E a exceção não pode ser a regra.

Deixando de lado a hipocrisia e frases de efeito politicamente corretas, vamos combinar que filhos são muito importantes, mas não são tudo.

7 Comentários

  1. Achei bacana o texto, mas quando falamos que “os filhos são tudo”, na verdade não estamos excluindo as demais pessoas. É apenas uma hipérbole, uma maneira um pouco exagerada de se mostrar o quanto se ama um filho. Nada demais. Bacana o texto, mas não podemos considerar tudo ao pé da letra. Agora, sugiro que você participe mais da festinha ao lado do seu filho, ao invés de se preocupar em completar o seu chopp. Complete o coração dele. Brinque com ele. Isso é muito importante para ele, pode ter certeza.

  2. Não captaste o “espírito” do texto…….erro básico de interpretação.
    Além do mais como você pode mensurar o quanto o Autor participa ou não da vida do filho por estar tomando um chopp?
    Mas você mesmo parece não seguir o que você mesmo disse: “Bacana o texto, mas não podemos considerar tudo ao pé da letra.”

  3. Solteiro e sem filhos remonta-me algumas festas que fui e nas rodas de amigo ao surgir o comentário “filhos”, o projetivo (psicologismo meu apenas) emocional de desejosos pais amorosos de guerreiros que somos apenas por um momento fugir de certa instância niilista de sentido para coisas que se faz no dia a dia (cervejinha exacerba) :). Abs.

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