Dilma saindo. Vamos falar sobre a bolsa?

Com a expressiva participação popular nas manifestações do domingo e o desenrolar da operação Lava-Jato, a probabilidade da queda de Dilma Rousseff parece cada dia maior. A baixa credibilidade do governo promoveu a depreciação dos ativos financeiros. A saída da presidente tende a reverter esse quadro, caso o novo governo adote um programa econômico consistente. Quais as perspectivas para os próximos meses?

A aposta na bolsa é refém de como se desenrolará o quadro político. Por isso, vale a pena fazer uma reconstituição do que nos trouxe até essa situação e traçar possíveis cenários.

As intervenções econômicas feitas pelo governo de Dilma Rousseff são a principal explicação para o turbulento cenário econômico pelo qual o país atravessa. A manutenção do preço dos derivados do petróleo gerou um rombo de caixa na Petrobras o que prejudicou sua capacidade de investimento. Segundo estimativas, a perda de caixa atingiu US$ 60 bilhões, 10 vezes superior à propina estimada.

A adoção de novas regras para a renovação das concessões das geradoras comprometeu a capacidade de geração de caixa da Eletrobras e transformou o já parco lucro da empresa em seguidos prejuízos o que acabou exaurindo as reservas de lucros passados e impede, atualmente, o pagamento de dividendos aos acionistas.

A renúncia fiscal disseminada comprometeu a arrecadação do governo, contribuindo para o surgimento de déficits primários e elevação da dívida bruta o que contribuiu para as agências de risco retirar o grau de investimento do país.

A utilização da “contabilidade criativa”, bem como a utilização de bancos públicos para financiar o Tesouro, prática proibida pela lei de responsabilidade fiscal, gerou descrença dos empresários o que minou ainda mais a taxa de investimento da economia. Resultado: o país caminha para uma recessão inédita desde 1931, época da maior crise do capitalismo: a Grande Depressão. Em apenas dois anos, o governo Dilma deve entregar uma perda medida pelo PIB per capita similar à da década perdida de 1980.

Tanta incompetência teve, como consequência, a perda gradual de sua popularidade que culminou nas manifestações de domingo. Partidos aliados já estudam a retirada do apoio. O PMDB, base de sustentação do governo, decidiu em convenção definir uma posição a respeito em 30 dias.

A situação é complexa, pois o tempo econômico é mais célere do que o jurídico e o político. Um instrumento constitucional como uma espécie de “recall”, na qual a população votaria a continuidade ou não do governo, tornaria a transição mais amena. Em caso de votação pela destituição, novas eleições ocorreriam o que daria credibilidade ao novo governante. Mas, infelizmente, o constituinte de 1988 não incluiu essa possibilidade em nossa carta pátria. A possibilidade de destituição da presidente pode derivar: da aprovação do pedido de impeachment pelo Congresso; do julgamento pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de que a campanha de 2014 foi financiada com recursos ilegais ou da renúncia da chefe de Estado. Fala-se, ainda, da aprovação de um regime próximo ao parlamentarismo, mas que, dada a baixa credibilidade do Legislativo junto à população, deve ser de difícil aprovação.

Cada possibilidade pode gerar uma sucessão distinta como a marcação de novas eleições, eleições indiretas ou a posse do vice-presidente Michel Temer, do PMDB.

Novas eleições seriam a melhor saída, pois trariam um governo respaldado pelas urnas. Tem surgido críticas à possibilidade de o PMDB assumir o poder tendo em vista que parte da cúpula está envolvida nas investigações da Lava-Jato.  Embora esse não seja o melhor cenário, o partido aprovou recentemente um programa de governo chamado “Ponte para o Futuro” que apresenta medidas que reestabelecem a sustentabilidade fiscal do país. Caso seja de fato implementado deve obter apoio do mercado o que seria positivo para a bolsa e demais ativos.

Após a delação do senador Delcídio do Amaral, ex-líder do governo no Senado, e a condução coercitiva do ex-presidente Lula para depoimento, o Ibovespa apresentou forte valorização, tornando-se caro caso comparemos o índice atual com a média dos últimos seis meses. O indicador atingiu a média mais um desvio padrão na última sexta, dia 11. Mas a bolsa está realmente cara?

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Se Dilma permanecer, sem dúvida. Mas caso haja resolução do conflito político, essa métrica perde a validade, pois o Ibovespa negociou em níveis depreciados nos últimos anos. Empresas com controle governamental como Banco do Brasil, Petrobras e Eletrobras, com relevante peso no índice, devem apresentar forte valorização com um governo menos intervencionista e que imprima uma política econômica racional.

Além disso, as perspectivas econômicas melhoram o que tende a elevar o lucro das empresas no médio prazo e, por consequência, a reduzir o múltiplo P/L (preço por lucro) futuro. Assim, sob nova administração, o mercado deve antecipar a provável melhora com a valorização do índice.

Por fim, apenas um palpite. Acredito que essa crise se resolverá com a renúncia da presidente. O que vocês acham?

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11 Comentários

  1. Existem vários Nostradamus ultimamente. Vcs esquecem que para especulador meios otários basta . As coisa melhoraria nos primeiros meses depois cairia na mesma ou pior situação que agora.
    Quem vai resolver Aecio, temer, cunha , todos canalhas e o que é pior corruptos confirmados , deixem o barco correr que ele encontra seu rumo
    golpe só em 2018

    1. Realmente não vai haver golpe. Vai sim ocorrer o impedimento (impeachment) por financiar campanha de 2014 com dinheiro desviado dos cofres publicos por doacoes ilicitas da oderbrech e por pedaladas fiscais. Concordo que Temer e farinha dos mesmo saco.Que venham novas eleicoes em outubro 2016!!!!

  2. A renúncia da Presidente seria o ato grandioso de sua gestão catastrófica.
    Porém, não creio nessa hipótese, muito difícil. O partido dela quer se perpetuar no governo e não admitiria tal atitude.
    Enfim, acredito que a saída se dará com o impeachment.

  3. Olá André, bom dia
    Há (muitos) analistas levando em conta a candidatura do Lula para 2018? Com a “blindagem ministerial” mais próxima, entendo que pode ser um cenário importante . O que você acha?

  4. O Governo Dilma está morto, só falta enterrar. Acredito que, dado o nivel de repulsa popular , o mais provavel será a saída via impeachment. Ela só renunciará quando ficar claro que o desfecho do impeachment lhe será desfavorável. Mas o estrago feito na economia é tamanho que mesmo um novo governo tera dificuldades em consertar a casa.

  5. Embora seja absolutamente imoral essa bandalheira toda, pelo que vemos, se não houvesse propinas na Petrobras o “rombo” ainda seria de 54 bilhões.
    Não mudaria muito o quadro geral.
    Isso ocorre, também com a VALE, que, embora aparentemente não tenha propinas nem nada, está mal das pernas.
    O problema é o preço das commodities. Infelizmente, o Brasil ainda é um exportador de commodities e a queda do preço delas prejudica muito nossa economia. O motor de nossa economia é exportação.
    Parado esse motor, não temos mais fonte de crescimento.
    Por isso, acho que tirar a Dilma, pode melhorar, mas não muito.
    Por fim, o impeachment pode gerar desestabilização, violência no país.
    Isso aumenta muito o risco.
    Prefiro esperar 2018 do que arriscar todo meu patrimônio numa aventura.
    Mas acho que vão levar o impeachment para frente.

  6. Lá no senado, caso o impeachment passe na câmara, a Dilma resiste e fica. Logo, num primeiro momento (câmara), as estatais sobem, depois, despencam. ; é com esse cenário que os especuladores trabalham.

  7. André,
    Sou Apartidário, Empreendedor e Executivo por 28 anos em Cargos de Direção.
    Quem conhece muito bem o passado projeta o futuro com melhor assertividade.

    RETOMADA, Somente em 2020, ainda assim com PIBINHO em 2019, pois os instrumentos de Política Monetária – Fiscal – Cambial, estão no LIMITE; excetuando, se, o Meireles / Armínio ou outro qualquer fizer uma Política FORTE de Privatizações, aí nós aumentaremos os Investimentos, melhora da Produtividade, redução FORTE da corrupção, observe o passado:

    • MÉDIA DO PIB DE 8 ANOS DO GOVERNO FHC ( 1995 a 2002 ) = + 2,45%
    • MÉDIA DO PIB DE 8 ANOS DO GOVERNO LULA ( 2003 a 2010 ) = + 4,05% ( Entrada da CHINA na OMC em 2001, NÃO EXISTE OUTRA CHINA !
    • MÉDIA DO PIB DE 6 ANOS DO GOVERNO DILMA ( 2011 a 2016 ) = + 0,22% ( Queda livre em 6 anos do PIB ), já projetando 2016 próximo de ( – 4% ).

    CRISE : O imbróglio Político – Econômico – Institucional, vai piorar ainda mais, pois o “tecido” de relações dos 3 Poderes, com FORTE presença do Estado na economia, é “podre”, pois a estrutura de DOS PODERES É ECONÔMICA, em todas as esferas, desde a Democratização, estão para NEGÓCIOS com alguma ilicitude, “isto é brasil” , e, não há como o Judiciário “passar a limpo”; inclusive, porque ele também faz parte deste processo de “favorecimentos”.

    CONCLUSÃO: Concordo que SEM o Governo DILMA haverá uma significativa melhora do
    Índice de Confiança da sociedade como um todo, vai melhorar um pouco vai, mas o caminho de volta ao PIB 2010, com Políticas Neoliberais serão árduos, se, fizermos a lição de casa, na melhor da hipóteses somente em 2020.

    Com relação a BOLSA, o maior competidores são LUCRO ( em queda ) e JUROS ( continuarão altos ); excetuando, as Empresas Exportadoras ( destaque para as empresas de Papel e Celulose ) e algumas ligadas ao Setor Financeiro como CIELO e BB SEGURIDADE, terão valorização, as demais estão com queda FORTE dos LUCROS, somado ao fato que PETROBRÁS e VALE, juntas representam quase 40% do Volume da Bolsa, por gravidade trazem o IBOV para baixo.

    Assim, abaixo de 40.000 pontos STOP DE COMPRA, acima de 50.000 STOP VENDA.
    Mas no geral concordo com as suas colocações … !!!

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