Como a Bolsa pode ajudar na recuperação da economia?

O mercado acionário permanece desconhecido para a maioria dos brasileiros. Vários consideram a aplicação em ações uma atividade meramente especulativa. Mas acreditem: o mercado acionário pode contribuir para elevar o nível de investimentos da economia, contribuindo para a recuperação econômica. 2019 deve comprovar essa tese.

Recentemente um leitor, enviou-me a seguinte mensagem: “Por favor, veja se consegue me ajudar. Qual o impacto que uma empresa sofre quando as suas ações desvalorizam na bolsa? Uma vez que a empresa já “ganhou” o seu dinheiro quando fez o IPO, o impacto é somente para quem comprou as ações?”

Antes de responder diretamente a questão, vamos explicar como funciona o mecanismo de transmissão entre os recursos obtidos em uma abertura de capital na Bolsa e a atividade econômica.

Quando uma companhia fechada vai abrir seu capital na bolsa, ela precisa oferecer suas ações aos investidores. O nome dessa operação é IPO (“Initial Public Offering”, na sigla em inglês). Essa oferta pode ser de dois tipos: primária ou secundária. Na primeira, a companhia emite novas ações. O valor obtido vai para o caixa da empresa e tem como contrapartida um aumento do patrimônio líquido.  Esses recursos são utilizados, em regra, para investimentos orgânicos, aquisição de concorrentes com o objetivo de consolidar seu mercado de atuação ou redução do endividamento.

A equação do PIB pela ótica da demanda é:

PIB = C + G + I + (X – M) em que:

C é o consumo privado de bens de consumo; G, o consumo desses bens por parte do governo; I, os investimentos das companhias; X, exportações e M, importações.

Caso a companhia tenha feito seu IPO com o intuito de fazer investimentos, o I irá aumentar, contribuindo para o incremento do PIB. É fácil perceber que ela, embora de forma modesta, contribui individualmente para a atividade econômica.

Na emissão secundária, não há emissão de novas ações e os acionistas originais transferem suas ações para os novos acionistas na operação de abertura de capital. Nesse caso, os recursos não transitam no caixa da companhia, indo direto para os bolsos dos acionistas originais.

O leitor pergunta: “qual o impacto que uma companhia sofre quando suas ações se desvalorizam na bolsa?”. Nessa situação, a companhia já possui ações negociadas na Bolsa de Valores. Suponha que ela queira fazer uma expansão da sua planta fabril, mas já é alavancada o que a restringe a buscar capitais de terceiros. Uma solução seria fazer uma oferta de ações no mercado. Como ela é listada, já fez anteriormente a sua oferta de abertura de capital (IPO). Agora, ocorrerá uma oferta subsequente (“follow on”, em inglês). Sendo uma oferta primária, haverá emissão de novas ações. Vamos supor que ela precise de R$ 100 milhões. Quanto maior o preço da ação, menos ações serem emitidas, reduzindo a diluição dos acionistas atuais. Em outra situação, essas ações podem ser usadas como garantia para a tomada de um empréstimo. Quanto mais baixo o preço da ação, mas ações deverão ser dadas em garantia. Assim, a companhia e seus controladores possuem interesse de que suas ações se mantenham valorizadas. Um preço depreciado da ação reduz a capacidade de financiamento da empresa. Assim,  não são apenas os acionistas de bolsa que perdem com a desvalorização do preço das ações.

A troca de governo com a imposição de uma agenda de política macroeconômica consistente e de aumento da eficiência econômica torna a bolsa de valores um instrumento capital não só para a privatização das estatais, mas também para as aberturas de capital das companhias fechadas, bem como de ofertas subsequentes, contribuindo para o aumento dos investimentos na economia.


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