As ações de tecnologia como a Microsoft são para o longo prazo?

“Ações são investimento para o longo prazo”. Você já deve ter ouvido essa máxima. Mas empresas de tecnologia cujos negócios são atingidos por inovações tecnológicas constantes são boas apostas para um horizonte maior? No momento no qual o presidente Steve Ballmer da Microsoft se aposenta, o tema é pertinente.

Na última semana, os periódicos de finanças deram manchetes sobre o futuro da Microsoft com a retirada prematura de seu presidente Steve Ballmer de 57 anos. O Valor Econômico publicou duas matérias do Wall Street Journal. Na segunda, 26 de agosto, saiu “Escolha de novo líder pode ser um recomeço para a Microsoft” e na quinta, 29 de agosto, “Para especialistas, Microsoft cresceu, mas perdeu o rumo”.

Recomendo a leitura de ambas. Em um breve resumo, as reportagens mostram que a companhia, embora praticamente onipresente em computadores com seu sistema operacional Windows, precisa se preparar para atender a novos dispositivos como smartphones e tablets.

Meu objetivo não é discutir os desafios da Microsoft, mas mostrar como as inovações tecnológicas constantes podem ser danosas para as empresas de tecnologia no médio prazo. No primeiro artigo, há uma arte que compara os valores de mercado atuais de algumas empresas de tecnologia americanas com os do início do século. Gigantes como a Microsoft e Cisco valiam US$ 603 bilhões e US$ 358 bilhões, respectivamente, há 13 anos comparados a US$ 290 bilhões e US$ 127 bilhões atualmente. O valor de mercado da IBM ao redor de US$ 200 bilhões se mostra estagnado no mesmo período. Empresas importantes em 2000 como AOL e Yahoo com porte de US$ 91 bilhões e US$ 63 bilhões, hoje são apenas sombras com valores de mercado de US$ 2,7 bilhões e US$ 29 bilhões, respectivamente. Representantes importantes não existiam em 2000 como Google (US$ 290 bilhões) e Facebook (US$ 99 bilhões). A Apple é destaque com valor atual de US$ 455 bilhões comparado a “meros” US$ 18 bilhões em 2000.

No post “Cuidado com a estratégia ´comprar e manter`”, de 18/11/2011, mostrei  que 50% das ações que compunham o Ibovespa na carteira teórica do primeiro quadrimestre de 1980 não estavam mais presentes no índice em decorrência de falência, concordata, fechamento de capital, redução da liquidez e incorporações. Assim, embora o investimento em ações seja para o longo prazo, uma revisão periódica da carteira é fundamental, pois as teses de investimento mudam ao longo do tempo.

No segmento de tecnologia, esse conselho ganha maior relevo. As inovações tecnológicas constantes colocam em cheque periodicamente a tese de investimento dessas companhias. Não é tarefa fácil manter-se no topo como mostram essas gigantes. O investidor ao alocar seu dinheiro no setor deve estar consciente de que essas ações são de alto risco onde ganhos exorbitantes, como foi o caso da Apple, convivem com inúmeras derrocadas.

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7 Comentários

  1. Muito bom artigo, momento adequadíssimo.

    Você não mencionou Warren Buffet nem uma vez mas pensou nele? rs

    Quem é fã dele não tende a comprar ações de tecnologia – apesar dele ter “quebrado este principio” ao adquirir 5% da IBM.

    Abs.,

  2. A compra das áreas de Mobile e Serviços da Nokia, altera o panorama da Microsoft, na sua opinião, para uma perspectiva positiva no longo prazo, ou de ainda mais incertezas, uma vez que a companhia vem há tempos tentando um reposicionamento no mercado de tecnologia?

    1. Oi Daniel
      Há como se diz no jargão de mercado “risco de execução”, ou seja, conciliar as duas cias.
      Mas, feito essa ponderação, a notícia é positiva, pois a Microsoft vinha perdendo espaço com o avanço dos smartphones.
      Abraço
      André Rocha

  3. Boa noite André,

    Suas colocações são muito interessantes a análise destas empresas é realmente complicada.

    Eu ainda acrescentaria que dentro do grupo das empresas de software/hardware ainda temos que levar em conta a forma como operam. Algumas dependem de vendas ao consumidor final e tem produtos facilmente substitutíveis (APPLE, NOKIA), outras com forte dependência de contratos de longo prazo e de substituição custosa (SAP, ORACLE, IBM) e outras que tem atuações em diversos níveis de cliente (MICROSOFT, do XBox ao Dynamics).

    Enfim, acredito que aqueles dispostos a investir (e não meramente especular) nessas empresas tem que ir bem além da análise fundamentalista padrão e analisar os negócios, o nicho de mercado e a operação.

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