A lógica da relação entre o fluxo de notícias e o preço da ação

A queda do preço da ação de uma empresa após a divulgação de uma notícia ruim é normal. Mas o mercado às vezes exagera. Como descobrir se os investidores derrubaram a cotação além do razoável? A queda das ações do Itaú Unibanco após a divulgação da autuação de R$ 18,7 bilhões feita pela Receita Federal foi justa?

Após noticias negativas sobre uma companhia como a baixa contábil de um ativo, perda com inadimplência de clientes e provisões trabalhistas e tributárias, o preço da ação geralmente cai. Nesses momentos, o investidor deve ter calma. Quais regras seguir?

Primeiro, compare a possível perda com o valor de mercado da empresa. O percentual obtido será a perda máxima esperada. Por quê perda máxima? No caso de disputas tributárias, por exemplo, em regra, ainda cabem recursos que podem postergar o pagamento ou reduzir o montante da autuação.

Segundo, compare também a queda da ação com o desempenho do índice de mercado. As ações não negociam no vácuo. Assim, a queda pode não ter sido derivada apenas da notícia. O cenário macroeconômico, por exemplo, pode ter influído na cotação.

As ações do Itaú Unibanco foram vítimas de uma má notícia na última sexta (16 de agosto). A Receita Federal autuou o banco em R$ 18,7 bilhões em decorrência da ausência de pagamento de tributos durante a união entre o Unibanco e o Itaú em 2008. Não entrando no mérito da autuação, quanto deveria ser a queda máxima das ações do banco caso a visão da Receita seja vitoriosa? Na quinta-feira, o valor de mercado de Itaú Unibanco, tomando por base as ações PN (ITUB4) era de R$ 147 bilhões. Logo R$ 18,7 bilhões representariam 12,7% do valor de mercado total do banco. Após as notícias as ações preferenciais caíram 2,0%. E o Ibovespa na sexta?  Valorizou-se 1,2%. Logo em relação ao mercado, ITUB4 ficou cerca de 3% para trás.

Qual conclusão pode se tirar do episódio? Não há dúvidas que a autuação afetou o desempenho das ações: ITUB4 caiu 2% enquanto o índice de mercado avançou 1,2%. Mas quando se compara a queda da ação no dia e a perda máxima possível pode se concluir também que o mercado considera a perda como pouco provável. Cabe ficar atento ao noticiário para ver como se desenrolará essa pendenga.

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5 Comentários

  1. Olá André?

    Qual a sua opinião sobre o impacto da notícia de que a Eternit está sendo processada com pedido de indenização de 1 bilhão de reais, na cotação das ações?

    O papel sofreu bastante nos últimos dias.

    Parabéns pelo novo site!

    1. Oi Adonias
      Eternit é uma bela empresa. Contudo o amianto tem importância vital para seu negócio, tanto na exportação do amianto in natura de sua mina em Goiás quanto como matéria prima para seus produtos acabados como telhas e caixas d’agua.
      A empresa começou a diversificar suas atividades com outros insumos, mas o amianto ainda é representativo.
      Como isso a tese de investimento de ETER3 é binária. Caso eles vençam a briga judicial que se encontra no STF, as ações tendem a ter forte alta. Por outro lado, a perda do processo gerará grande perda aos acionistas, pois a companhia terá que se adaptar a esse novo cenário com a utilização de outros insumos que deve corroer margens, aumento de investimentos e perda da receita da exportação do amianto.
      Abraço
      André Rocha

  2. Sr. ESTRATEGISTA, linguagem simples, foco e tema que faz perceber : A VIDA e o MERCADO DE AÇÕES.
    Foi gratificante apropriar-me dos conhecimentos. Fico grato. Parabéns. VIDA LONGA. até a proxima.

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