A camisa amarela amarela?

Após a vexaminosa derrota para a Alemanha nas semifinais da Copa do Mundo, especialistas buscaram explicações para a derrota. O desequilíbrio emocional dos jogadores tem sido considerado uma das principais causas para o fracasso. A pressão de jogar um torneio tão importante no Brasil afetou os jogadores o que refletiu-se na expressão chorosa dos jogadores durante a execução do hino e a pane de 6 minutos durante o jogo contra os alemães quando ocorreram 4 gols. A confiança (ou arrogância?) do treinador Luis Felipe Scolari não foi absorvida pelos jogadores. A ideia de que a vitória no futebol serve de alívio para as agruras da população brasileira é um fardo para os atletas. Não é somente no futebol que as condições psicológicas explicam derrotas dos esportistas brasileiros. Atletas olímpicos favoritos já tremeram em momentos decisivos. Se lembram das quedas de Daiane dos Santos e Diego Hipólito na ginástica olímpica, da perda da medalha de ouro pelo iatista multicampeão Robert Scheidt e do refugo do cavalo do Rodrigo Pessoa? Pode se alegar que faltam condições de treinamento para os atletas olímpicos. Mas a desculpa não vale para a seleção de futebol que possui um centro de treinamento de última geração em Teresópolis. Mas nenhum acidente possui apenas uma razão. Quais foram as outras falhas?

(i)                  a escolha errada dos jogadores selecionados – a criatividade no meio de campo ficou restrita a apenas um jogador: Oscar. Com a Copa irregular do atacante do Chelsea, tivemos um meio campo acéfalo. Isso já havia acontecido em 1994 quando a comissão técnica apostou em Raí. Com o mau desempenho do ídolo são-paulino, o Brasil se viu reduzido a um meio campo brigador – Dunga, Mauro Silva, Zinho e Mazinho. Sorte que tínhamos dois gênios Bebeto e Romário.

(ii)                a inconsistência tática – ao contrário de outros técnicos que apresentavam variações táticas dependendo do adversário (o técnico holandês Van Gaal utilizou três esquemas no mesmo jogo contra a Costa Rica), Scolari se agarrou ao 4-2-2-2. Ao se deparar com a lesão do principal jogador, Neymar e a solidez do meio campo alemão, faltaram alternativas. O técnico brasileiro morreu abraçado ao seu pragmatismo tático.

(iii)               a safra de jogadores de menor qualidade técnica – com exceção do excepcional Neymar, os demais jogadores são no máximo bons jogadores.

A Copa também derrubou algumas visões equivocadas. Primeiro, a de que as equipes brasileiras jogam lentamente devido ao desleixo. O clima não ajuda a termos um jogo dinâmico como o jogado pelas equipes europeias. Foi normal ao longo da Copa, vermos jogadores cansados e com câimbras, especialmente em jogos no Nordeste. Assim, o clima explica, mais do que características táticas ou técnicas, o jogo mais cadenciado das equipes brasileiras.

Segundo, apesar do pessimismo, o Brasil conseguiu realizar uma boa Copa. A segurança e até mesmo questões de logística como as dos aeroportos foram superadas. A receptividade aos estrangeiros foi o ponto alto do evento. Resta agora esperarmos a conclusão das obras inacabadas, principalmente as relacionadas à mobilidade urbana. E torcer para uma equipe mais equilibrada em termos emocionais, táticos e técnicos em 2018.

 

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