Yearly Archives: 2016

O aliado virou algoz dos investidores

Em abril último, escrevi um artigo de alguma repercussão sobre o desempenho dos fundos de ações. Reportagens publicadas ilustravam que nos últimos anos esses fundos, em média, foram capazes de superar os índices da bolsa: Ibovespa, IBrX50 e outros.

A concentração dos indicadores em poucos papéis era, no meu entender, a principal razão da rentabilidade adicional obtida por nossos fundos. O Ibovespa, nosso principal índice acionário, é composto substancialmente de ações de estatais (Petrobras, Banco do Brasil, Eletrobras, Copel e Cemig), empresas de commodities e financeiras.

Mas não fui taxativo. No fim do artigo, deixava essa argumentação em suspenso ao fazer uma provocação: o gestor médio brasileiro obtinha esse bom desempenho em decorrência da qualidade de suas análises ou era realmente da má composição dos índices.

Já transcorridos oito meses, a rentabilidade de nossos fundos em 2016 traz nova luz sobre a questão?

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A força das expectativas para os investimentos

A decisão de investir compreende diversas variáveis como, por exemplo, o perfil de risco do investidor, o prazo do investimento e a necessidade de liquidez do investidor (ele necessita de uma renda regular ou pode viver sem os recursos advindos da aplicação por um tempo?). Essas informações são objetivas. Com elas, o consultor está quase preparado para indicar um produto financeiro (ou uma carteira de produtos) a seu cliente. Contudo ainda resta um importante atributo que não é apenas estudar o investidor: a expectativa em relação às variáveis econômicas como inflação e juros. Essas expectativas definirão o possível retorno dos investimentos no curto, médio e longo prazos. Além das questões macroeconômicas, deve se observar a capacidade financeira do emissor. No mercado acionário, a expectativa é ainda mais relevante, pois deve se atentar se essas variáveis já estão sendo levadas em conta pelos agentes de mercado.

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O esquizofrênico setor de telecomunicações

Imagine um objeto de desejo, que representa status social e que se tornou vital nos dias atuais. O carro, diriam alguns. Não, pois esse vem sendo questionado em um mundo que preza a sustentabilidade e a mobilidade urbana. Falo do celular. O glamour do maço de cigarros nos bolsos e bolsas, hoje é personificado no aparelho móvel. O estoque de celulares já supera a população do país.

Contudo, as operadoras não estão comemorando. Estranho, né? A Oi recorreu recentemente à recuperação judicial com dívidas superiores a R$ 60 bilhões, a maior da história brasileira. A TIM patina. Essas empresas não conseguem aproveitar o cenário benéfico e, como reflexo, suas ações perdem espaço na bolsa brasileira. Por que isso ocorre?

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As dificuldades de comunicação com o mercado – Parte II

Cumprindo a promessa do último artigo, volto a abordar o tema da relação das empresas com os investidores. Uma boa comunicação com os agentes de mercado (analistas, gestores e investidores pessoa física) é fundamental para que o preço das ações da companhia incorpore da melhor forma possível suas atividades operacionais e financeiras presentes e futuras e, com isso, se aproxime do preço justo da ação.

Há três semanas, falei, citando casos que vivenciei profissionalmente, sobre três temas: a recompra de ações, empresas alvo de aquisições e a visão de curto prazo das empresas. Hoje, discorrerei sobre as estimativas oficiais fornecidas pelas próprias companhias sobre dados operacionais, também conhecidas pelo termo em inglês “guidances” e o período de silêncio (“quite period”, em inglês). Continuar lendo

As dificuldades de comunicação com o mercado

A empresa que apresenta resultados robustos por um determinado período de tempo terá seu valor de mercado apreciado. O preço da ação é diretamente relacionado ao desempenho operacional da empresa. Contudo, por que em determinados momentos companhias com resultados consistentes não veem seus papéis se valorizarem? Ou, o que é pior, por que ações de firmas com resultados pouco atraentes têm alta procura dos investidores? A resposta está na forma como as empresas se relacionam com investidores e analistas. Constatei durante minha carreira erros cometidos que influenciaram diretamente o preço da ação. A seguir, alguns exemplos.

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