Monthly Archives: fevereiro 2014

O maior inimigo da bolsa no curto prazo

A percepção de boa parte da população é a de que a bolsa brasileira tem sido um péssimo investimento nos últimos anos. Essa visão é equivocada. O fato de o principal índice da bolsa brasileira – o Ibovespa – ter ido mal não significa que a “bolsa brasileira” também teve mau desempenho. Vários gestores de ações conseguiram bons resultados nos últimos anos. Mas a situação mudou a partir de meados de 2013. Logo, em 2014, o cenário é mais desafiador para esses gestores. A normalização da política monetária americana com a redução gradual das compras compulsórias de títulos públicos provocou a desvalorização das moedas de diversos países emergentes. Não foi diferente com o real. A depreciação de nossa moeda, com efeito inflacionário, combinada com a situação fiscal frouxa levou o Banco Central a iniciar a elevação dos juros primários da economia a partir de abril de 2013. Desde então, a taxa Selic passou de 7,25% para 10,5%. De acordo com consenso de mercado, existe a expectativa de novas elevações nas próximas reuniões do Copom. Assim, a subida dos juros é o maior entrave à apreciação da bolsa no curto prazo. Veja como a política monetária teve forte influência sobre a bolsa brasileira nos últimos 5 anos.

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Mendonça de Barros responde a meu post sobre a B2W

O respeitado economista e ex ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros utilizou meu post sobre a capitalização da B2W como gancho para seu artigo publicado na Folha em 07 de fevereiro de 2014. Minha abordagem teve a ótica do analista de empresas, minha formação profissional. Logo, um enfoque microeconômico. Já Mendonça de Barros fez uma interessante abordagem macroeconômica. Segue link para os dois textos:

Artigo Mendonça de Barros na Folha.

Meu post sobre o aumento de capital da varejista B2W.

 

 

 

 

Fleury, não compre as ações pelos motivos errados

Em novembro de 2013, um dos controladores do laboratório de análises clínicas Fleury, o grupo formado pelos médicos fundadores, resolveu colocar a venda sua participação na empresa. Para assessorá-los, contrataram o banco de investimentos JPMorgan. Alguns analistas consideram que, com base na lei, a saída do grupo da empresa gerará o direito de os minoritários também venderem suas ações ao novo acionista adquirente recebendo por elas o mesmo valor pago ao grupo controlador. Mas cuidado, pois o novo sócio pode não ser obrigado a fazer essa oferta.

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Quem errou na avaliação da B2W: o mercado ou o controlador?

Em 24 de janeiro, a B2W (BTOW3) informou que o fundo americano Tiger, juntamente com sua controladora Lojas Americanas (LAME4) – companhia dos ex-Garantia Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles -, se comprometeu a capitalizar a companhia em R$ 2,38 bilhões. O anúncio surpreendeu pelo tamanho da operação — próximo do valor de mercado da B2W antes do anúncio (R$ 2,452 bilhões) — e pelo preço da emissão das novas ações, equivalente a R$ 25 ou 61,2% superior ao preço de mercado (R$ 15,50) e bem acima dos preços-alvo calculados pelas corretoras que acompanham a empresa. As avaliações de B2W pelos agentes são díspares: de um lado estão os analistas e o mercado e do outro, o controlador e o fundo. Uma coisa é certa: alguém está errado.

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