Charlie Munger, o parceiro de Buffett

Charlie Munger é sócio de Warren Buffett na Berkshire Hathaway. Apesar de Buffett ser mais popular, Munger também tem muito a ensinar aos investidores.

A relação de Charles T. Munger com a família Buffett é antiga. Quando adolescente trabalhou na mercearia do avô de Buffett. Sócios há décadas na seguradora Berkshire Hathaway, Buffett e Munger possuem uma estratégia única de investimentos. No post “As estratégias de Warren Buffett”, de 06/09/2011 falei de algumas adotadas pela dupla como a concentração em poucos papéis, a visão de longo prazo, o desapego a índices de mercado, a escolha por companhias com atividades econômicas simples e compreensíveis e a aversão a teses de investimentos, cujo crescimento é suportado por aquisições.

Munger é extremamente racional e possui enorme capacidade de síntese, segundo Buffett: “Ele vê a essência de tudo antes mesmo de você finalizar a sentença”. Essa característica permite que Munger não siga a multidão como mostrou a reportagem “Usar a razão, a fórmula do sócio de Buffett para investir”, do Wall Street Journal, publicada no Valor Econômico de 2 de setembro.  Em 2009, no auge da crise, investiu 71% do caixa da Daily Journal, uma pequena editora da qual é presidente, em ações de bancos, justamente o setor mais penalizado pelos investidores. Essa não foi a única estratégia vitoriosa na ocasião. Ele investiu os recursos do Good Samaritan Hospital, centro médico de Los Angeles, onde é conselheiro, em títulos de dívidas de empresas, cujos preços tinham caído muito na crise. O retorno foi espetacular.

Tal como Buffett, Munger também é adepto das frases impiedosas. Em relação à concentração dos investimentos em poucas apostas disse: “Existe uma grande vantagem para um indivíduo fazer um grande investimento e sentar em cima. Você paga menos corretagem e escuta menos conselhos sem sentido”. Ele também não acredita nas projeções das companhias: “Projeções na América são sempre mentiras, embora não intencionais, mas as do pior tipo porque quem as faz acredita nelas”.

Em um mundo frenético, onde o curto prazo domina, Munger e Buffett ficam “sentados numa sala silenciosa, lendo”, segundo Shane Parrish, gerente de fundos. Essa talvez seja a solução para nos diferenciar da multidão, evitando os modismos e o excesso de informações que invadem nossas telas de computadores e celulares todos os dias.

Quem quiser ler mais frases de Buffett e Munger, recomendo “Warren Buffett Speaks – Wit and Wisdom from the World’s Greatest Investor”, de Janet Lowe.

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8 Comentários

  1. André, aproveito p/ solicitar qual a sua opinião sobre o Fundo “Capital Protegido, Lastreado em ações de BUFFETT/MUNGER, que a XP Corretora colocou no mercado, c/ adesões até 30.09.13.

    Abs,

    Sérgio Melo

    1. Oi Sergio

      Nos fundos de capital protegido, boa parte dos seus recursos são alocados em uma aplicação de renda fixa e o restante na aplicação chamariz – no caso as ações da Berkshire Hathaway. A primeira parcela garante seu principal e a restante oscila na aplicação de renda variável. Como a parcela em ações é baixa, por isso a gestora coloca um teto de rentabilidade. Podem ser usado derivativos também. Nesse caso, a XP deve fazer alguma proteção cambial, pois as ações são referenciadas em dolar

      A XP vai garantir 25% do ganho das ações. Suponha que as ações se valorizem bem – 50% – nesses 1 ano e três meses. Você terá direito a 12,5% que será muito similar ao que você obterá em uma aplicação conservadora no Brasil. Se as ações andarem menos, você terá menor retorno do que o de um CDB de um grande banco.

      Para você ter ganho acima de uma aplicação conservadora, as ações terão que andar bem mais do que 50% no período. É possível, mas não é provável.

      Abraço

      André Rocha

  2. Gostaria de acrescentar ao texto que a Berkshire Hathaway não é uma seguradora mas uma holding com interesses em várias áreas, principalmente seguros, mas também bancos, serviços públicos, participação no capital da Coca-Cola, Gilette, Washington Post, e outros.

    A BH é uma das maiores empresas dos EUA por valor apesar disso deve ter algo como apenas uns 20 funcionários trabalhando com Buffett e Munger.

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