Monthly Archives: janeiro 2015

Cuidado ao dizer que sua ação está barata

Em outubro, escrevi sobre as ações da Usiminas. A tese era a de que os investidores estavam comprando as ações ordinárias da siderúrgica (USIM3), mirando o direito ao “tag along”, ou seja, receber 80% do valor pago pelas ações do controlador em caso de troca de controle. Segundo minha hipótese, a razão da aquisição das ações derivava mais de um evento societário do que dos resultados operacionais da empresa. Alguns leitores, em e-mail enviado, deram argumentos de que as ações preferenciais da empresa estavam baratas. Embora meu enfoque tenha sido sobre as ações ordinárias e não sobre as preferenciais, tentarei respondê-los a seguir.

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As ações cíclicas e a análise fundamentalista

Existem empresas que atuam em setores no qual o ambiente macroeconômico exerce forte influência sobre a atividade operacional. São as chamadas companhias cíclicas, como as dos segmentos de commodities e imobiliário. Por outro lado, outros setores econômicos apresentam maior resiliência a variáveis como a inflação e o nível da atividade econômica. O melhor exemplo é o do setor elétrico cujas empresas possuem contratos nos quais as receitas são indexadas pela inflação e o nível do faturamento não se altera drasticamente se a economia passa por um momento de recessão ou de prosperidade.

Apesar da mudança na metodologia de cálculo do Ibovespa, a bolsa brasileira ainda apresenta muitas empresas cíclicas, como Vale, Petrobras, Fibria e as ações das incorporadoras imobiliárias. Essa composição torna a análise da bolsa brasileira desafiadora. É o que vemos agora no setor imobiliário. Após forte queda no preço das ações e múltiplos convidativos, é hora de se posicionar em ações do segmento?

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Outros obstáculos ao IPO da Caixa

No último post “IPO da Caixa: sem noção da realidade”, comentei que, em um momento no qual ocorrem graves problemas de governança corporativa na Petrobras e na Eletrobras, o anuncio da abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) da Caixa Econômica Federal feito pela presidente Dilma Rousseff era fora de propósito. Antes dessa medida, os limites de atuação das estatais precisam ser discutidos. Elas devem visar o interesse público à custa do caixa dessas empresas com prejuízo para os acionistas minoritários? Esses devem pagar por benefícios destinados a toda a coletividade? A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e o STF (Supremo Tribunal Federal) devem se debruçar sobre o tema nos próximos meses. Além dos argumentos utilizados no artigo anterior, excelente reportagem de Fernando Torres do Valor Econômico mostra outro argumento contrário ao IPO: a fragilidade do lucro da Caixa Econômica Federal.

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IPO da Caixa: sem noção da realidade

Às vésperas do Natal, o jornal Valor publicou a reportagem “Governo pretende levantar até R$ 20 bi com venda de fatia da Caixa”. Para obter um valor justo por suas ações, a Caixa Econômica Federal, além de apresentar resultados operacionais consistentes, deve adotar um sistema de governança corporativa robusto. Contudo, graves questões de gestão das estatais e de conflitos de interesse entre a União e a Eletrobras, bem como a Petrobras, pululam no noticiário. O mercado de capitais é uma eficaz fonte de financiamento, mas exige normas que defendam os interesses da companhia e de todos os seus acionistas. O mercado acionário não pode ser visto apenas como uma alternativa para o governo atender suas metas fiscais. O debate sobre os limites da atuação das estatais de capital aberto é atual, pois vem sendo discuitda tanto na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) como até mesmo no STF (Supremo Tribunal Federal). Sem atacar essas questões, a abertura de capital de mais uma estatal é inoportuno.

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